quinta-feira, 4 de julho de 2013

VIOLÊNCIA E BARBÁRIE HOMOFÓBICA EM UBERLÂNDIA Gilvan de Melo está hospitalizado em estado grave


No dia 27 de junho, véspera do dia em que a comunidade LGBT comemora o Dia Mundial do Orgulho Gay, data da primeira manifestação e luta por direitos dos homossexuais, ocorrida nos EUA, em 1969, conhecida como A Batalha de Stonewell, um grupo de no mínimo três pessoas tentou matar com pedradas na cabeça o homossexual Gilvan de Melo, 23 anos, assessor parlamentar, no bairro Morumbi.
Amigos de Gilvan Melo relataram que estiveram com ele até por volta das 22 horas, quando se separaram, cada um para suas casas. Neste percurso, ocorreu a agressão covarde cuja explicação seria a sua orientação sexual. Gilvan encontra-se em coma desde então, com traumatismo craniano, no hospital de Clínicas da UFU.
“Em todo o tempo de militância, nunca vi tamanha selvageria em Uberlândia. Sem querer fazer acusações, pois a polícia está investigando, este ato pareceu seguir aqueles literalistas da Bíblia e do Alcorão, que usam pedras em vez de respeito às diferenças, principalmente as sexuais”, declarou o Coordenador do Núcleo de Diversidade Sexual da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho, da Prefeitura Municipal de Uberlândia, Marcos André Martins e também presidente da Shama. Marcos analisou que os discursos dos fundamentalistas como “cura gay” e “maldições do apocalipse” acabam influenciando a violência contra homossexuais e outras minorias.
Marcos informou que, além da investigação policial, está denunciando o crime em todo o Estado e no País, inclusive encaminhando a denúncia à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH. “Não vamos parar enquanto não houver justiça, denunciamos na mídia, denunciaremos na Câmara Municipal na próxima quinta-feira, nas manifestações e onde for preciso”, enfatizou Marcos, convidando a todas as pessoas cuja fé seja para o bem a rezar pela vida de Gilvan e a fazer cartazes e/ou faixas cobrando justiça, eficiência e empenho das autoridades na apuração e responsabilização dos criminosos.
O dirigente lembrou que o Brasil é o recordista mundial em crimes por homofobia. Segundo dados da SDH/PR, houve um aumento de 166% de denúncias de violação de direitos humanos a pessoas LGBT entre 2011 e 2012. “Ainda segundo dados do GGB, houve 336 assassinatos, quase um por dia em todo o país, um aumento de 26% em relação a 2011”, denunciou Marcos.