domingo, 28 de junho de 2015

CARTA DE REPÚDIO AO ATAQUE DO LEGISLASTIVO À EDUCAÇÃO BÁSICA E FUNDAMENTAL DE UBERLÂNDIA


A diretoria da Associação Homossexual de Ajuda Mútua – Shama repudia veementemente, e considera um retrocesso civilizatório, os cortes aprovados ontem (16/06/15) pela maioria dos vereadores à Lei do Plano Municipal de Educação (PME) suprimindo as palavras “Orientação Sexual”, “Gênero” e “Categorias de classe”. Apenas dois vereadores votaram contra os cortes, os vereadores Ismael Costa e Marquinho do Mega Box, ambos do PT. Os cortes foram propostos na forma de emenda apresentada pelo vereador Doca Mastroiano, do PR.

A sociedade precisa saber que o PME foi construído e debatido por 162 instituições, sendo mais de 100 da área da Educação, em um Congresso que contou com de 687 participantes, além de dezenas de professores, alunos e lideranças comunitárias terem comparecido à sessão de votação como forma de sensibilizar o Poder Legislativo.

Em vão, pois o que se viu foi uma vitória de concepções sobre Educação que remontam ao século XVI, XVII, quando se confundia desinformação com inocência! Se é que se pode falar em concepções sobre educação ou logo observar que houve um ataque deliberado dos vereadores de oposição – já que, sem o Plano aprovado o governo atual, no caso, perderia recursos federais e estaduais para o setor. Os que o apoiam se viram “com uma faca no pescoço”, como se ouviu no Plenário, e não tiveram outra alternativa.

Quaisquer que sejam os motivos, a atitude dos vereadores deixou claro que a outra intenção dos vereadores da oposição era evitar que se instruam estudantes adolescentes e pré-adolescentes sobre questões de gênero – que envolve direitos de mulheres e transgêneros (LGBTs em geral) - e de classe que, pasme-se, no Plano democraticamente discutido com a comunidade, instruía sobre a composição social do mundo do trabalho!  

É verdade que os eleitores de Uberlândia têm a possibilidade de pensar e repensar sobre seus representantes dentro de dois anos, quando também o PME poderá ser revisto e tal aberração ser revertida ou confirmada na Câmara. Continuando como está, preparem-se todos para futuras gerações de cidadãos uberlandenses divididos em duas “categorias de classe”, quer se fale ou se escreva sobre isso em lei ou não: de debiloides ou fascistoides, ou ambos, moralmente machistas, homotransfóbicos, e que tal vassalagem como relação de trabalho?

Nota: Foi preciso aguardar a emissão do “extrato” da votação para se obter a posição fiel da votação das emendas, daí esta carta ter sido publicada numa mídia social erroneamente informando o voto contra do vereador David Thomaz. Tal correção é uma oportunidade para realçar outros tipos de votos ocorridos, como: Os vereadores Vico (PTC), Silésio Miranda (PT), Ismar Prado (PT) Isac Cruz (PRB) e Estevão Bittar(DEM) não votaram, dando as costas para a Mesa Diretora. A vereadora Gláucia da Saúde (PMN) declarou abstenção. David Thomaz (PSDB) e os demais, como se vê acima, votaram a favor da emenda.