terça-feira, 1 de novembro de 2016

15 Parada do Orgulho LGBT foi “tudo” e de luta!


     Com tema voltado para o segmento de travestis e transexuais, muita música, danças, performances e toda a sorte de arte, a 15 Parada LGBT foi a mais politizada desde que existe – assim Edmar Sierota e Marcos Martins, o primeiro presidente da Associação Homossexual de Ajuda Mútua – Shama, e o segundo, coordenador do Núcleo da Diversidade Sexual da Secretária de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Uberlândia - NUDS, definiram o evento realizado no domingo (dia 23/10/2016).

     Ambos destacaram a participação de novas lideranças, muitas que participaram das atividades da Semana da Diversidade que antecederam à Parada, muitos deles realizados dentro da UFU, e a inédita maior presença de lésbicas e homens trans que, com outros LGBTs, estão no movimento das escolas secundaristas ocupadas contra medidas do governo Temer que congelam investimentos em Educação e Saúde por 20 anos no país, e gritaram “Fora Temer”.

     “Sempre defendemos que a nossa parada expresse arte e luta pelos nossos direitos, agora seriamente ameaçados por uma onda conservadora na política do país, acho que o que vimos domingo foi um marco e reflete essa situação, analisou Marcos Martins, revelando a grande participação de lésbicas, gays, travestis e transexuais de outras cidades na parada.

     A polícia militar divulgou a presença de 20 mil pessoas no evento e os dois dirigentes declararam que não se surpreenderam com esse número, pois estavam cientes de que a questão política de fato definiu lados, havendo uma parcela da comunidade LGBT organizada, infelizmente, que resolveu ouvir outras lideranças e boicotar a parada, atitude que, segundo Marcos, sinaliza que também em Uberlândia o movimento vive uma divisão ideológica clara entre lideranças que atuam pelos direitos e interesses coletivos, outras, não. “Agora nosso movimento dá um salto de consciência, as pessoas verão que não estávamos aqui somente pelo glamour e nunca por interesses pessoais ocultados dentro de partidos (eles existem) que, na hora da conquista de um direito humano LGBT e ou coletivo para toda a sociedade, atuam contra nós”, defendeu Marcos Martins.

        Diversos shows de Drag Queens e artistas LGBT, comandados pelas irreverentes Priscilla Drag e Santora Ferraço animaram o público que curtiu vários estilos musicais: desde o eletrônico, com destaque para a DJ internacional Thascya Spirandelli, até o sertanejo universitário e funk. Outra novidade, ressaltaram, foi a diversidade de público, com a presença de famílias, idosos e muita juventude: Caravanas das cidades vizinhas, bem como, de municípios mais distantes, como por exemplo Pirapora e Frutal, agitaram a praça Clarimundo Carneiro. “E, como ocorre todo ano, nenhuma ocorrência policial grave”, informou o presidente da Shama que, junto com o NUDS realizaram a Parada, tendo como apoiadores e parceiros a Prefeitura Municipal de Uberlândia com várias de suas secretarias e a Universidade Federal de Uberlândia.